Porto Côvo
(Rui Veloso / Carlos Tê)

 


Roendo uma laranja na falésia

Olhando um mundo azul à minha frente

Ouvindo um rouxinol na redondeza

No calmo improviso do poente

 


Em baixo fogos trémulos nas tendas

Ao largo as águas brilham como pratas

E a brisa vai contando velhas lendas

De portos e baías de piratas

 

Refrão:

Havia um pessegueiro na ilha

Plantado por um Vizir de Odemira

Que dizem por amor se matou novo

Aqui no lugar de Porto Côvo

 

 

A lua já desceu sobre esta paz

E reina sobre todo este luzeiro

À volta toda a vida se compraz

Enquanto um sargo assa no braseiro

 


Ao longe a cidadela de um navio

Acende-se no mar como um desejo

Por trás de mim o bafo do estio

Devolve-me à lembrança o Alentejo

 

Refrão:

Havia um pessegueiro na ilha

Plantado por um Vizir de Odemira

Que dizem por amor se matou novo

Aqui no lugar de Porto Côvo